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Mostrando postagens de maio, 2021
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A VIOLÊNCIA NÃO É UM ATO BANAL E m cursos de Engenharia de Segurança do Trabalho é usual apresentar fotos com cenas fortes de acidentes com energia elétrica: corpos pendurados nas fiações, corpos dilacerados, vidas ceifadas. Para além de evidenciar os riscos de ocorrência de acidentes fatais, o propósito é causar impacto emocional e ensejar mudanças de condutas em prol da segurança no ambiente de trabalho. Nessa perspectiva, a foto tem por objetivo chamar a atenção para o fato.  T al estratégia, a meu ver, era mais eficaz nos tempos em que a internet não estava disponível com as possibilidades e facilidades atuais. É que de uns tempos para cá, tornou-se usual e até natural o compartilhamento, às vezes ao vivo, de acidentes graves com mortes violentas, inclusive. Acredito que esse tipo de postagem revela insensibilidade e contribui para banalizar a violência. Nessa perspectiva é o fato sendo usado para chamar a atenção para a foto. P or ser pertinente, cito exemplos dessa realidade:...
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A VIDA NÃO EMITE AVISO PRÉVIO   Fernando Nogueira de Lima E u bem sei: quem se propõe a exercer a vida pública será amado e será odiado. Isso porque a ascensão política implica em contrariar interesses e em impor derrotas aos adversários. Quem se propõe a exercer a vida pública há de conviver com aliados leais e com adversários corretos. Em escala maior haverá de conviver com adversários desleais e com aliados que por ambicionarem tão-somente o poder são capazes de atraiçoar. Quem se propõe a exercer a vida pública está sujeito a obter vitórias e a sofrer derrotas. Nas vitórias não faltarão aliados. Nas derrotas cairão inúmeras máscaras e somente restarão alguns, com os quais poderá contar. E u bem sei: quem se propõe a exercer a vida pública corre o risco de ser caluniado e injustiçado, independentemente de ser vencedor ou de ser perdedor. Quem se propõe a exercer a vida pública uma vez caluniado e injustiçado passa a ser visto como se tivesse uma doença contagiosa e, não ra...
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O CAMINHO ESTÁ PELA FRENTE E m um país caracterizado por elevada concentração de renda, por severas desigualdades sociais, por uma taxa alarmante de analfabetismo e pela incidência da miséria em parcela significativa da sociedade. E mais, afrontado pela violência crescente e corroído pela corrupção desenfreada calcadas na perspectiva da impunidade, não há o que se falar em contrário à adoção de políticas públicas com o fito de incrementar as oportunidades de acesso e de permanência nos diversos níveis que compõem a nossa educação formal. No entanto, é imprescindível considerar que não dá para resolver essa questão fundamental da sociedade sem atentar previamente nas condições indispensáveis para que ela realmente possa existir. Em assumir propostas, aceitando palavra por palavra sem refletir e descer ao fundo do seu significado essencial e de seu objetivo real. Agindo dessa forma, corremos o risco de vivenciar um projeto ilusório de mudanças sociais que sequer pode ser incluído no un...
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  “PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES” O ano era 1968 e eu cursava o terceiro ginasial (correspondente à sétima série do primeiro grau, nos dias de hoje). O Brasil mergulhado no regime de exceção. O Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes) invadido por policiais: estudantes presos e estudantes foragidos. Em inúmeras cidades do país, estudantes nas ruas, de mãos dadas, caminhando e bradando: LIBERTA OS ESTUDANTES! LIBERTA OS ESTUDANTES! E, lá estava eu no meio da multidão. Pelo país afora, essas mobilizações, não raro, terminavam em confrontos com a polícia, caracterizados por muita correria e muita pancadaria. N o rádio tocava Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores. Canção cuja letra expressou o desejo contido no imaginário da juventude, se transformando em hino do movimento estudantil contra a ausência de democracia no país: contra as atrocidades que aconteciam nos porões da ditadura militar e contra o silêncio imposto à liberdade de expressão e de opção política,...
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  NAS ASAS DA LIBERDADE O nde existir um olhar sem brilho – sobretudo de criança - que, na maioria das vezes, se direciona para baixo e que, pela desesperança, se projeta tão somente em direção ao nada é sinal de que ali prevalece a falta de liberdade. Bem por isso, predomina a ausência de senso crítico e de justiça social. Além disso, não raro, ali coexistem corrupção, hipocrisia e impunidade. I mpossível existir liberdade onde imperar as amarras da opressão, da indiferença e da alienação. O mesmo se diga de onde perdurar o analfabetismo, a fome e a miséria. Razão pela qual a superação das desigualdades sociais somente se dará com mudanças de comportamento, de escolaridade e de atitudes. Daí será possível almejar uma sociedade justa e igualitária. Do contrário é continuar vivendo de ilusões em uma realidade na qual a tônica é enganar ou ser enganado. É alienar ou ser alienado.   É ser conivente ou servil, voluntariamente. A liberdade é um estado da mente. Quanto a isso ...
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  A DIFÍCIL TAREFA DE ENSINAR E AVALIAR F inal de semestre letivo. Hora de apresentar a média final de cada discente. A história se repete. Fico a refletir sobre o desempenho dos alunos e sobre o meu desempenho, como professor, ao longo do semestre letivo.   Isso porque, acompanho o posicionamento daqueles que acreditam que o rendimento desejável é função da atuação tanto dos alunos quanto dos professores, em sala de aula e fora dela. De outra forma dizendo: A avaliação do desempenho no processo ensino-aprendizagem não está restrita ao número de aprovados e de reprovados na disciplina em questão. N o que diz respeito ao corpo discente, a meu ver, o rendimento está associado fundamentalmente à dedicação e aos conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Não só. Depende da capacidade de correlacionar e aplicar esses conhecimentos. Nesse contexto, a dedicação dos alunos deve ocorrer tanto por meio do estudo individual, quanto, de forma coletiva, via interação com outros alunos...
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  FOME DE CIDADANIA V oltando no tempo, mais precisamente à época de adolescente, me recordo de uma discussão, entre amigos, sobre o que os membros do Congresso Nacional e do Executivo Federal poderiam fazer para solucionar o problema da fome no Nordeste, assim como nas demais regiões em que ela se fizesse presente. Um dos pontos ali colocados foi o questionamento sobre o efetivo interesse dos representantes do povo e dos Estados, em relação àquela temática. Isso porque, a maioria deles não conhecia a realidade de perto e nenhum deles havia passado fome. E videntemente concluímos que só boa vontade e disposição não resolveriam o problema de milhões de famílias que sofriam de fome todos os dias e que, para se dedicar à questão posta, não era imperativo passar fome ou necessariamente vivenciá-la. Em vez disso, imprescindível espírito público, senso de justiça e conhecimento das demandas da sociedade.   E mais. Teria que haver determinação política sem o que as intenções pode...
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  SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO   A  violência tem sido banalizada entre nós e, em certos casos, se apresenta mais visível e mais nociva do que outrora. Na internet, via compartilhamentos sucessivos, a banalização pode se alastrar a partir de postagens daqueles que, sem maldade e sem visão crítica, lançam mão de fotos que expressam a violência extrema com o intuito de ser engraçado e de provocar gargalhadas, brincando com determinadas situações do seu cotidiano.  A gindo assim, distorcem a realidade. Desconhecem as causas motivadoras do fato fotografado e banalizam a violência. É a criatividade a serviço da trivialidade, tendo por suporte a indiferença para com a desgraça alheia e a incapacidade de se indignar diante da tragédia humana. E essa realidade se apresenta como cômica para muitos, tal é a quantidade de vezes em que essas postagens são compartilhadas, sem contestação alguma, dia após dia.  N estes tempos em que o combate à violência tem sido u...
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  NO TEMPO DE CADA UM Q uando enfim chegar a minha hora de percorrer o caminho de volta para casa, seja qual for a derradeira provação a que terei de passar, eu poderei agradecer a Deus por ter adquirido a capacidade de ver além das luzes ao alcance dos olhos e enxergar a razão de ser da transitoriedade deste vínculo de vida. Assim, tudo que precisarei, além das lembranças dos que amarei incondicionalmente para sempre será voar livremente, em consciência, liberto de tudo e do mais. N este instante, eu que já sabia que na ausência da matéria restará o pensamento com o poder de criar matéria, mergulharei em águas límpidas e doces que são as que eu mais aprecio, até me saciar dos últimos prazeres materiais para, em seguida, radiante de felicidade seguir em paz o caminho repleto de luz, sentindo, na sua plenitude, a sensação de deleite inimaginável, indescritível e permanente de vivenciar o ser divino. P or isso, os que virão depois de mim haverão de compreender e ver que não se ...
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  A PROPÓSITO DA HIPOCRISIA N um passado distante, quando os jovens despertavam desejos para a prática do sexo era comum ouvir de um dos membros da família o seguinte alerta: tenha juízo e não se envolva com mulheres casadas. Nem mesmo quando houver aquiescência do marido porque se a relação vier a lume, ele, guiado, pela hipocrisia, terá lapsos seletivos de memória e encenando indignação irá para cima de você, disposto a lavar com sangue a honra colocada em suspeição. L embrei-me do aviso contra o triângulo amoroso consentido por causa das atitudes e condutas de autoridades, de políticos e de formadores de opinião sempre que o malfeito caracterizado pelo uso indevido do erário público é denunciado. Diante de tanta corrupção, agem como se nunca tivessem desconfiado ou tido conhecimento dessa roubalheira. E haja lapsos seletivos de memória e encenações, revelando que a hipocrisia não se cinge tão-somente às relações amorosas. Basta olhar em volta para constatar que ela abunda...
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    TEXTO EM RETALHOS C erta vez, ouvi a conversa entre dois indivíduos sobre o bolsa família. O que estava com a tesoura e o pente, exercendo o seu labor, defendia a adoção daquele programa assistencial por ser instrumento capaz de melhorar as condições de vida de inúmeras pessoas, que viviam na miséria. O outro, que já havia exercido relevante cargo no legislativo federal, depois de ouvir em silêncio a argumentação afirmou que se tratava de um aliciamento estomacal, nada mais.   L embrei-me disso quando lia uma reportagem sobre a prorrogação do Auxílio Emergencial, benefício financeiro que tem o propósito de fornecer proteção para o enfrentamento da crise causada pela pandemia. Sem entrar no mérito daqueles entendimentos calcados nas condições socioeconômicas dos dois protagonistas, fato é que embora necessários, esses dois programas contribuem para alavancar fortemente a popularidade do governante de plantão. Paciência!   P or mais que eu escute que a con...