NÃO É O TEMPO QUE TUDO CURA A prendi, já faz algum tempo: depois que temos filhos e filhas, notícias sobre crianças e jovens nos atingem como se falassem deles ou delas, sobretudo quando envolvem tragédias. Aprendi, também, com a experiência de terceiros que não existe dor maior do que a provocada pela perda de um filho ou de uma filha, qualquer que seja a etapa da vida em que ocorrer. P ois bem, a dor pela perda em circunstâncias trágicas de um filho em um caso e de uma filha em outro caso foi vivenciada pelos que vieram de mim, por aqueles que poderiam ter vindo de mim e por pessoas pelas quais tenho apreço. É o acaso mais uma vez se fazendo presente: inesperadamente, prematuramente e violentamente. D iante dessa fatalidade que nos deixa a todos impotentes, busquei antigas anotações pessoais resultantes de um momento de perda, para provocar reflexões no ambiente familiar sem o propósito de minimizar a dor, pois não há como abrandá-la nesses momentos de despedidas. O fiz, ...