A DIFÍCIL TAREFA DE ENSINAR E AVALIAR

Final de semestre letivo. Hora de apresentar a média final de cada discente. A história se repete. Fico a refletir sobre o desempenho dos alunos e sobre o meu desempenho, como professor, ao longo do semestre letivo.  Isso porque, acompanho o posicionamento daqueles que acreditam que o rendimento desejável é função da atuação tanto dos alunos quanto dos professores, em sala de aula e fora dela. De outra forma dizendo: A avaliação do desempenho no processo ensino-aprendizagem não está restrita ao número de aprovados e de reprovados na disciplina em questão.

No que diz respeito ao corpo discente, a meu ver, o rendimento está associado fundamentalmente à dedicação e aos conhecimentos adquiridos ao longo do curso. Não só. Depende da capacidade de correlacionar e aplicar esses conhecimentos. Nesse contexto, a dedicação dos alunos deve ocorrer tanto por meio do estudo individual, quanto, de forma coletiva, via interação com outros alunos. Seja na sala de aula, seja fora dela.

O desempenho desejável dos professores, por sua vez, pode ser resumido em três competências: 1) capacidade de ensinar todo o conteúdo programático da disciplina; 2) capacidade de ensinar como aprender o conteúdo da disciplina e 3) capacidade de entusiasmar os alunos de tal modo que passem a gostar de aprender, correlacionar e aplicar o conteúdo da disciplina. Para tanto e inevitavelmente, quem tem a tarefa de ensinar deve ser um exemplo de dedicação e de entusiasmo. Uma referência pessoal e profissional.

As metodologias de ensino e os sistemas de avaliação de aprendizagem devem considerar como objetivo essencial assegurar, na comunidade discente, permanente autoestima e motivação para aprender os conhecimentos relativos à sua formação. Nesse sentido, é essencial que os alunos não se limitem ao conteúdo ministrado em sala de aula. Que tenham dúvidas. Muitas dúvidas. E que façam por onde saná-las, entre si ou com a ajuda de professores.

A diversificação dos instrumentos utilizados no processo de ensino-aprendizagem, acrescentado às aulas expositivas tradicionais, dentre eles: utilização de recursos audiovisuais e de multimídia, softwares, seminários e palestras, trabalhos em grupo e realização de projetos, associada, sempre que possível, à prática de incentivar a criatividade dos alunos representam elementos motivadores capazes de contribuir para a melhoria da aprendizagem.

A qualidade da aprendizagem também está associada à disponibilidade de fontes de consulta, particularmente de livros. E que essa bibliografia seja atualizada e em quantidade suficiente. No entanto, de nada valerá esse acervo se os professores não estimularem os alunos a estudarem por meio de livros, limitando-os aos conteúdos de sala de aula e de apostilas, ou a textos disponíveis na internet.  Igualmente importante, em função das especificidades de cada curso, que haja disponibilidade de equipamentos adequados e, obviamente, realização de aulas experimentais.

Essa reflexão contribui para evidenciar que ensinar, assim como aprender, faz parte de uma via de mão dupla e o quanto os professores são responsáveis pelo bom (ou pelo mau) desempenho dos alunos. Além disso, ressalta o grau de dificuldade que caracteriza a atividade docente, tão desprestigiada por governos que se sucedem e que não compreendem ou ignoram a natureza das demandas do nosso desenvolvimento.  Por oportuno, registro: a realidade nacional deve invadir, de forma responsável e contextualizada, as salas de aulas. Seja para reduzir a alienação política instalada, seja para despertar a visão crítica e reflexiva.

Portanto, os desafios que se apresentam aos professores são muitos, merecendo destaque aquele que diz respeito à formação de autodidatas, ou seja, assegurar que cada aluno adquira a capacidade de aprender sozinho e continuamente. Nessa perspectiva, o paradigma a ser adotado aponta para três formas de assimilação de conhecimentos em cada disciplina. Uma parte dos conhecimentos, qual seja aquela que se refere aos fundamentos e conceitos básicos e que deve ser adquirida pela forma tradicional: professor repassando conhecimentos em sala de aula. Outra parcela, cujos conhecimentos devem ser adquiridos por meio de estudos dirigidos e, por fim, uma parcela de conhecimentos que o aluno deve adquirir por iniciativa própria.

Evidentemente, que em todas essas etapas de aprendizagem, o professor pode, ao ser procurado, contribuir para a superação das dificuldades encontradas, indicando novas fontes de consulta ou, quando for o caso, apresentando a solução desejada. Quanto à avaliação, a mesma deve abranger necessariamente as três parcelas de conhecimentos, nada impedindo que sejam avaliadas com pesos diferenciados. Isso em virtude da prática predominante onde o professor ou professora transmite, em sala de aula, todo conteúdo programático da disciplina, cabendo ao aluno, com raríssimas exceções, ser apenas um depositário passivo dos conhecimentos ministrados.

Por fim é preciso ter sempre em mente que “Ensinar, mais do que transmitir conhecimentos é estimular a indagação e convencer pelo exemplo”.

Fernando Nogueira de Lima é doutor em engenharia elétrica e ex-reitor da UFMT.

(*) foto do https://pixabay.com/pt/

 

 

 

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