EM SE TRATANDO DE POESIA EU SOU UM APRENDIZ


SONETOS COM VERSOS BRANCOS

 

CAPITU


Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!

Tu és a dona do meu amor e do meu querer

Dia não há em que não deseje te ver e te ter,

para calar a  saudade que ainda murmura

 

Ah! Que destino melancólico este nosso:

Viver o amor privado de sonhos e de brotos

Sem olhares, sem palavras ditas, sem afetos

Que nos faz sofrer e me enche de remorso

 

Ah! Minha Flor amada! Peço-te perdão...

Descuidei do nosso amor apesar da paixão,

por isso a vida nos jogou em outros braços

 

Oh! Doce menina! Além da vida eu te amarei

E para o triunfo deste amor, nisto acreditarei: 

Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

 

(completando o poema do livro Don Casmurro)


 

A BARONESA DO CAIS

 

Entre todas a mais jovial e mais formosa

Dos marinheiros e turistas, fonte de desejos

Com um sorriso se entregava aos seus apelos

e revelava a todos o quanto podia ser fogosa

 

E muitos amaram  o corpo de belas curvas

daquela mulher recém-saída da puberdade

De pele macia, com o frescor da juventude;

lábios abertos, seios grandes e ancas largas

 

Sabe-se lá o quê, ou quem, a levou até o cais

pra viver submissa à cobiça alheia e nada mais,

nas sombras que é onde habita a prostituição

 

Hoje no porto, repleto de espaços urbanizados

recordei saudoso dos seus olhos amendoados

e quis sentir no vento a sua fragrância preferida


(inspirado no olhar distante de um famoso musicista ao lembrar da Baronesa do caís)                                                                      

  

AS PALAVRAS IMPORTAM

    

Dê-me Senhor, muita sabedoria

Para conviver com tanto escárnio

daqueles que cometem perjúrio

e fortalecem a miséria e a ignorância

 

Dê-me Senhor, muita ousadia

Para me insurgir contra o barbarismo

que há em tudo que irradia fanatismo

Sinônimo de extremismo e intolerância

 

Dê-me Senhor, muita determinação

Para que apesar de tanta malversação

eu possa vislumbrar horizontes novos

 

Dê-me, pois, Senhor, muita justiça

Para que eu tomado pela desesperança

não deixe de acreditar na civilidade

 

 

OLHO NO OLHO

 

A parada está tensa e não é de agora

Esta realidade  destrutiva  não é virtual

e o perigo está à espreita, real e mortal

nesta sociedade racista e conservadora

 

Pensa aí, manifestação não é micareta

Eles, de  uma faísca estão a precisar

Para, de vez, o tecido social  dilacerar

e justificar uma ruptura hostil e violenta

 

Se liga mano, pular na ciranda deles

é acrescer o contágio nas comunidades

onde vive quem a gente ama, abra o olho!

 

Fique atento, se cuide, guarde a emoção

Astúcia e estratégia devem guiar a ação,

pois o barato aqui é xadrez, não  é dama

 

(Livre adaptação do alerta feito pelo Emicida)

 

  

POETAS

 

Benditos sejam eles e elas, poetas!

Que nos encantam pela vida a fora

Artífices do sentimento que aflora

nos versos que escritos batem asas

 

Que voam alto e para bem distante

compartilhando prantos e regozijos

Enternecendo corações apaixonados

onde o amor palpita a todo instante

 

Estranhos, reverentes ou silenciosos

Loucos, desiludidos ou correspondidos

Fontes copiosas na arte de fazer poesia:

 

Do plantio de emoções e de palavras

Vão colhendo sonoridades e rimas

para alumiar o que a alma esconde

 

 

NA CARNE VIVA

 

Cá no peito mora uma tristeza infinda

Angústia que vem sem ter nem pra que

Um vazio que sinto sem saber porquê

Amargura que chega e se queda calada

 

A causa, quem sabe, vem de outras vidas

Da desdita do acaso, de amores desfeitos,

de devaneios e de desejos amontoados,

a soprar plangente por entre existências

 

As dores da alma mareiam até os olhos

e fazem brotar lágrimas não choradas

que mesmo vertidas continuam sentidas

 

Sina atroz e cruz pesada esta minha

Feridas abertas que nunca cicatrizam

O tempo passa... elas doem e sangram

 

(inspirado em versos do poeta Fernando Pessoa)


  

VIVER

 

Estrada de opções e escolhas

Ponto de encontros e desencontros

Ambiente de acertos e desacertos

Local de chegadas e partidas

 

Cada opção é uma porta

De entrada ou de saída

Fechada ou encostada

Qual escolher é o que importa

 

Uns  vão adiante

Outros só lamentam

E o tempo segue em frente

 

A vida  nem sempre é fácil

pode ser descomplicada

ainda que difícil

 

 


LÚGUBRE  SOMBRA

 

Um mausoléu e um retrato:

Juventude ceifada, eternizada

Tarde poente e acinzentada

Noite sem fim de lamento

 

Cinza e branco - triste visão        

Vida breve, vida inacabada

Amor em semente - ainda

E tudo se fez pó, até o grão

 

Incerta morte  que não tardou

Fatalidade  que veio e te abraçou,

levando-te  cedo e tragicamente

 

Ausência que dói sem machucar

Lembrança que arde sem queimar

Saudade  que chegou e se eternizou


(colhido da memória de infância diante da foto em um túmulo)

 

 

VIDA BREVE

 

Num indesejado e inesperado instante

O céu entristeceu e a alma ficou de joelhos

Se foi o porvir de mais pinturas e desenhos

Pois o artista imenso partiu ao sol poente

 

Viagem sem volta, avisos ou despedidas

O fim da irreverência, da genialidade

das performances, da louca criatividade

do humor, da erotização, das cores puras

 

Num implacável e nefasto momento

O ocaso chegou e a chama da vida apagou

As  cores enoitaram e a cultura ficou de luto

 

Cometa multicolorido riscando o espaço

Aqui na terra a arte instigante e visceral,

Eternizada nas suas telas – tintas e traço


(homenagem ao pintor Adir Sodré) 

 

 


POEMA COM VERSOS LIVRES


 

A MESMICE DE CADA DIA

 

A frase do dia. A mensagem do dia.

A foto do dia. A gastança do dia.

E o bom dia, todos os dias...

 

A terrível penúria. A clássica apatia.

A lenta agonia. A ação que é tardia.

E o furor inútil que brota das vaias...

 

A palavra vazia. O jogar pra plateia. 

A reiterada notícia. A resposta tão óbvia.

E o espargir da hipocrisia e das paranoias...

 

A prática da injúria. A visível inércia.

A inegável infâmia. A nova falácia.

E o futuro que morre diante das idolatrias...

 

A cachaça diária. A sede precária.

A desculpa que não varia. A vida sem alegria. 

E a chaga que aflige todas as faixas etárias...

 

O viver de aparência. A opção pela angústia.

O motivar a ausência. O provocar a distância. 

E o desperdício de tempo nas estradas alheias...

 

O seguir sem ter guia. O existir sem utopia.

O afastar a concórdia. O abraçar a cizânia.

E os anseios perdidos em poucas reminiscências...

 

O sofrer e a sangria. A escrita que alivia

O amor e a nostalgia. A voz que silencia.

E a alma leve vagueia por entre boas memórias...

 

O sol e a praia. O convívio e a família.

O fim que principia. O porvir que não arrepia.

E o espectro silente que mora na mente (e que corre nas veias) ...                       

 



SONETOS COM SÍLABAS POÉTICAS


          

“O CASTELO

 

Pensamento liberto, viajo pra longe

Adentro o casarão, essa velha morada

Sinto o tempo passar a cada badalada

Pois no peito o trinar do passado ressurge

 

Paredes largas, portas altas e porões

Terraços e varandas. Salas e escadas

Músicas e alegria. Alarido e crianças

Reflexo da saudade de três gerações

 

Lar de braços e abraços sempre acolhedores

Família em comunhão, dividindo emoções

Minha alma transborda toda a gratidão

 

Bela edificação: imponente e sombria

Brisa leve atiçando chamas na memória

Daqueles tempos idos, todos bem vividos

 

 (colhido das memórias de tempos idos)



 

SOLIDÃO

               

Imerso nesta longa pandemia,

largo os fatos e abraço devaneios.

Resignado, já  não tenho os meios

para abrandar a imensa nostalgia.

 

E vivencio calado a tua  lembrança

(Do olhar primeiro até o último abraço)

que se fez meu tormento e calabouço,

onde só Deus me faz ter esperança.

 

Deste entulho de sonhos tão distantes,

em vão te busco. Clamo e tu não ouves...

Perdido estou no breu da solidão

 

Pois neste solo seco da saudade,

nosso amor sem idade nem liberdade,

germina; ao vil silêncio condenado.



 

 

O TEMPO PASSOU

 

Olho para as pinturas da minha memória

E não consigo ver o passar dos teus anos.

Vislumbro apenas três dos antigos esboços

Esta melancolia e essa longa distância

 

Não vejo teu jardim os canteiros e as flores,

o esplendor  e o ocaso da tua juventude,

o florescer das tuas rugas em cada idade

A vida revelando-se em todas as cores.

 

Não vejo tua rotina em cada novo dia:

Amores e conquistas, anseios e paixões

Lágrimas e sorrisos, mágoas e decepções

 

O que vejo são muitas molduras vazias

Cenário desta ausência que não desejei

Saudade no meu peito que nunca afastei

 

 

SINA ATROZ

             

Por conta deste meu jeito de te amar,

tanto e sem conta - desde a mocidade,

tudo que lembra amor, dor e saudade

me é visceralmente familiar

  

Quisera eu nas estradas do destino,

reencontrar  o teu sorriso, te abraçar

e em  êxtase teus lábios esmagar

num longo beijo - úmido e profano

 

Quisera eu que o querer fosse poder,

para enfim este amor reviver

explodir de paixão e te sentir minha

 

Ah! Destino meu, cruel e  tão mesquinho!

que teima e  insiste  em me deixar sozinho

ébrio desta paixão mal resolvida

 

 

AMOR  INCODICIONAL

 

Todo amor tem um ponto de partida

A visão da alvorada – os teus lábios

(tua vergonha apesar dos encantos)

Alma gêmea por fim fora encontrada

 

Ó! eterno e venturoso aquele instante! 

Principiar deste nosso aprendizado

Juntos e de mãos dadas, conjugando

O verbo amar no tempo do presente

 

O amor floresceu e foi compartilhado

sem limites, no abraço demorado,

nas entregas e nas cumplicidades

 

Se fez ousado – fonte de desejos

secretos, insonháveis, desmedidos,

a desaguar prazeres no teu corpo

 

DESCORTINAR

Há riscos nos caminhos do prazer

(por conta dos desejos que vicejam)

E apesar de incertezas que sobejam,

viver pode rimar com o fazer


Por vezes, pouco importa o que asseveras,

importa o que se quer e nada mais

Há que se viver sem pensar demais

no negar, no se dar e no ir das horas

 

Tal qual uma candeia no velador

a iluminar tudo ao seu redor,

o belo tem que ser descortinado

 

Assim como a lua riscando o mar

há coisas impossíveis de ocultar

São chamas pra faiscar da sina alheia.




                        DESALENTO


Não vês mesmo que o tempo sempre urge?

Que ele escorre por entre as multidões

alheio à cegueira sem opções

de quem nega o raiar do dia que surge?


Não vês mesmo que o tempo te ignora

e que ele se apequena e o faz,

irreversivelmente e tão voraz,

diante dos teus olhos - nesta hora?


Não vês que a finitude desta vida

é tal qual equação bem resolvida

que não permite duas soluções?


Não vês que viver de ressentimentos,

afogando-se em maus sentimentos

é igual comer pão velho e remordido?




A LUA POR TESTEMUNHA


Tomado por desejos eróticos

numa noite de lua morena

fui no rastro de olhares hipnóticos

pra sentir a aflição mais amena


Tantos braços e abraços alheios

Já não mais me atraíam - foi em vão

Nas veias palpitavam anseios

de te dizer da minha paixão


E rogar por um palco de amores

para te ver brilhar sem pudores,

novamente, somente pra mim


Nós dois a sós - desejo latente

Tua entrega - sublime presente,

não há de morrer dentro de nós

 

ARREMEDOS DE CORDÉIS


    A PRINCESA GIOVANNA


Em meados de abril uma princesa surgiu

Nascida em Cuiabá terra quente pra danar!

Com o papai e a mamãe do calor ela fugiu

Foi morar na Paraíba, terra mais linda do Brasil

E o sotaque local logo ela assumiu


Gosta muito de brincar, de curtir e de dançar

Diante da injustiça fica brava e chora até cansar

Ela gosta muito de aventuras e adora ajudar

De tanto querer, algumas vezes chega até a atrapalhar

Ama muito sua família, irmãos e amigos

E os momentos que com eles pode partilhar


Se alguém disser que não é linda

Ela apenas irá sorrir sem se importar

Pois tem quem a ache maravilhosa

E são muitos os que a querem abraçar

Liderar é uma característica natural dela

Basta olhar em sua volta para isso notar


Tem bonecas brancas e negras

A Manu com certeza é a preferida

Com ela aprendeu que a cor da pele não importa

Importa que todos sejam respeitados nesta vida

Aprendeu assim que verdadeiro amor não escolhe cor

E que com a liberdade ela deve ser comprometida


De alguns cachorros ela tem medo

Sobretudo dos pequenos e violentos

Assim como a sua mamãe

Medos ela tem de certos insetos

Mas, cedo ou tarde dominará esses medos

E então os pavores serão desfeitos


Quando nasceu seus olhos eram azuis

Agora estão verdes por conta do mar

Com eles azuis, verdes ou violetas

A beleza das ondas aprendeu a amar

Nelas sempre que pode vai se banhar

E assim da natureza se aproximar


Se o desejo de hoje não mudar

Médica obstetra ela vai ser

E se assim o destino permitir

Sua lida será ajudar criança nascer

Se emocionará ao pegá-la nas mãos

E ao ver o olhar da mãe que a irá proteger


Ao brincar ela gosta de ter privacidade

Não quer celulares na sua direção

Eles nem sempre são bem-vindos

Podem até afastar a afeição

Há hora para tudo nesta vida

E toda criança quer e precisa de atenção


Ela adora ganhar presentes de aniversário

De preferência que sejam brinquedos

Mas não reclama se for um brinco ou pulseira

Ou mesmo sapatos e vestidos

Porque para ela o importante é a presença

E todos no coração serão mantidos


Tem muitos desafios pela frente

Andar de skate e de bicicleta

Tocar ukulelê e teclado

Dançar balé e dar uma boa pirueta

Tudo isso ajudará a ser feliz

Voando livre como uma linda borboleta


Não conversa e nem aceita nada de estranhos

Porque nesta vida tem gente muito malvada

Mesmo quando a elogiam ela nada responde

Logo chama o seu papai e nele fica abraçada

Sempre está bem juntinho de alguém da sua família

Pra se proteger dos riscos de se perder ou de ser roubada


Cada parte do seu corpo é local sagrado

E com respeito é que nelas se pode tocar

Nas partes íntimas pouquíssimos podem fazê-lo

Ninguém mais, nem as mãos pode nelas colocar

Se alguém fizer isso, seja quem for, ameaçando-a ou não

Receios ela não terá de pra toda sua família logo ir contar


(Tarefa da escolinha de fazer um cordel atentando apenas para as rimas)



   OS TRÊS CACHORROS ENCANTADOS


Era uma vez um menino

Júlio ele se chamava

Ele vivia com a irmã

E com o pai que os amava

A mamãe já estava no céu

De lá deles ela cuidava


O Júlio rachava lenha

E ordenhava as ovelhas

A irmã cuidava da casa

E colhia frutas vermelhas

O pai amoroso não brigava

Só erguia as sobrancelhas


Um dia o pai adoeceu

Com a mamãe ele foi morar

Julieta ficou com a casa

E fortuna Júlio quis procurar

Pegou três ovelhas e partiu

Sem saber onde a encontrar


Passaram-se vários meses

Nada da fortuna encontrar

Na sombra de uma árvore

Júlio descansava a sonhar

Quando um velho apareceu

Segurando três cães a ladrar


Três ovelhas foram trocadas

Por três cães que eram encantados

Cada um com poder diferente

Um: trazia frangos assados

Dois: rompia qualquer algema

Três: devorava os malvados


O Júlio pôs-se a caminhar

Adiante um choro ele ouviu

O som vinha da carruagem

E pela cortina ele viu

A linda princesa em prantos

E o  dragão na caverna rugiu


Para acalmar a ira dele

Sacrificada a jovem seria

Pra enfrentar o feio dragão

O encanto ajudaria

Com ela na caverna entrou

Fugir ela não poderia


O dragão todo confiante

Pra engoli-la se preparou

Pela bocarra e narinas

Muita fumaça ele soprou

Um dos cães então acudiu

E o malvado dragão devorou


- Nós vamos pro castelo do rei

Disse a princesa sorrindo

- Hoje não, só daqui a três anos

Pois quero conhecer o mundo

Ter fortuna e ser um nobre

Por favor fique me esperando


Mas casar-se ela teria

Com quem do dragão ela salvou

O cocheiro quis ser o herói

E a princesinha ameaçou

Ela sem nada poder fazer

Muito infeliz então ficou


Bem no dia do casamento

O Júlio chegou na cidade

Ao chegar relatou que o noivo

Não era herói de verdade

Foi preso pelos guardas do rei

Por falar uma inverdade


Um dos cães derrubou a porta

E as algemas destruiu

O cão veloz foi ao castelo

Pegou a comida e fugiu

Antes lambeu a mão da jovem

Que gritou: quero o cão que saiu


Os guardas voltaram com Júlio

A verdade então prevaleceu

A princesa voltou a sorrir

E o rei o cocheiro prendeu

Os dois jovens se abraçaram

E no final o amor venceu


Ele com a princesa se casou

E Julieta mandou buscar

Irmã e duque se casaram

E no castelo foram morar

No cortejo real da festa

Todos viam três cães a brilhar


Pela vida a fora a princesa

Ao se sentir ameaçada

Pedia socorro aos três cães

Que chegavam em disparada

Do reino virou a rainha

Sendo por todos aclamada


                        Adaptação do conto ¨Os três cachorros encantados¨:

Rompe Ferro, Rompe Nuvem (devora tudo) e Corta Vento (traz comida)


OBS.: Na versão da minha avó, o Devora Tudo era denominado de Rompe Nuvem porque era capaz de pular acima delas. O Traz Comida era denominado de Corta Vento porque era capaz de correr mais rápido dos que os ventos mais velozes. Somente o cão Rompe Ferro tinha a mesma denominação. Da estória, a rigor, eu só lembrava da minha avó dizendo que quando a princesa se sentia em perigo ela gritava: ROMPE FERRO, ROMPE NUVEM E CORTA VENTO. A prática herdada de contar estórias para os filhos e para os netos me fizeram buscar o restante dessa estória, que a escuridão da noite do tempo não apagou dos labirintos da minha memória afetiva dos tempos de antanho.


Fernando Nogueira de Lima é Administrador, Doutor em Engenharia Elétrica e foi reitor da UFMT

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