A MESMICE DE CADA DIA

 

A frase do dia. A mensagem do dia.

A foto do dia. A gastança do dia.

E o bom dia, todos os dias...

 

A terrível penúria. A clássica apatia.

A lenta agonia. A ação que é tardia.

E o furor inútil que brota das vaias...

 

A palavra vazia. O jogar pra plateia. 

A reiterada notícia. A resposta tão óbvia.

E o espargir da hipocrisia e das paranoias...

 

A prática da injúria. A visível inércia.

A inegável infâmia. A nova falácia.

E o futuro que morre diante das idolatrias...

 

A cachaça diária. A sede precária.

A desculpa que não varia. A vida sem alegria.

E a chaga que aflige todas as faixas etárias...

 

O viver de aparência. A opção pela angústia.

O motivar a ausência. O provocar a distância.  

E o desperdício de tempo nas estradas alheias...

 

O seguir sem ter guia. O existir sem utopia.

O afastar a concórdia. O abraçar a cizânia.

E os anseios perdidos em poucas reminiscências...

 

O sofrer e a sangria. A escrita que alivia

O amor e a nostalgia. A voz que silencia.

E a alma leve vagueia por entre boas memórias...

 

O sol e a praia. O convívio e a família.

O fim que principia. O porvir que não arrepia.

E o espectro silente que mora na mente (e que corre nas veias) ...

 

 “Que Noite que Lua meu Bem pra que?”


Fernando Nogueira de Lima é doutor em 

engenheira elétrica e foi reitor da UFMT.









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