SEJA UM SEMEADOR DE SORRISOS
Sempre
dediquei atenção diferenciada a frases soltas ou que pudessem ser destacadas de
um texto extenso. Eu as buscava – como ainda o faço – em filmes e livros. Da
mesma forma, em discursos e diálogos, no cotidiano da vida.
Hoje,
devido a um encontro casual, me veio à mente uma das frases que registrei na
memória há muito tempo: “Chato é aquela pessoa que a gente pergunta como ela
está e ela diz”. Pensando um pouco mais sobre o significado desta frase fiquei
a me perguntar o quanto tenho sido ou não chato na vida. Ocorreu-me, também,
nessa perspectiva, fazer indagações relativas às atitudes das pessoas com as
quais convivo ou que já convivi.
Um
parêntese: se cada um de nós tem o direito a um minuto de sucesso ou de loucura
na vida, é válido também que tenhamos o nosso minuto de chatice. Até porque
somos humanos. Porém, existem, os que por opção de vida, se comportam como
chatos compulsivos. Muitos deles, os chatos de carteirinha, não conseguem
sequer esperar o término da pergunta usual que soa como um bálsamo aos seus
ouvidos: Olá! Como você está? Para destilarem fel nas suas palavras e, até
mesmo, nas suas intenções.
Li certa
vez - não lembro onde, que assim como existem as pessoas que se viciam em
cigarros, em jogos de azar, em bebidas ou em drogas ilícitas, existem também
aquelas que se viciam em mau humor. Entendendo o mal-humorado como um chato,
acrescento nesse rol de vícios a chatice em todas as suas formas de existir e
de se revelar. Dúvidas não há, pessoas que estão sempre insatisfeitas e
ressentidas são chatas, assim como são chatas aquelas que vivem apenas para
resmungar, para reclamar ou para se vitimar.
Igualmente
chatas, são aquelas que só fazem criticar, implicar ou menoscabar. O mesmo se
diga de quem, em todo momento, só fala dos seus problemas ou daquelas que, por
não saberem ouvir, não param de falar. Por sua vez, são chatíssimos e
equivocados todos os que motivados pela vaidade, pela ideologia ou pela
prepotência julgam-se os únicos detentores da verdade. Não nos esqueçamos aqui
dos chatos que fazem parte do grupo de pessoas tristes, de rostos retorcidos
que se satisfazem contando feias histórias, exceto as suas.
Como se
pode constatar, a diversidade da chatice é incontável. Por isso, pare um pouco,
pense e responda: Você conhece algum viciado em chatice? Antes de responder não
se esqueça de se mirar no espelho da sua própria consciência, pois todo cuidado
é pouco: O chato pode ser você. Note que é compreensível ser chato por
instantes, dias ou por um de tempo mais longo. Que seja assim é necessário
aceitar que ser chato a vida inteira, consciente ou inconscientemente,
constitui um comportamento por certo doentio.
No
cotidiano da vida, temos de escolher pessoas adequadas para dividir os
problemas – nas horas e na medida certa. Além disso, importante nos
conscientizarmos de que a síndrome da chatice compulsiva tem cura. Porém, como
todo vício que se preze, para superá-la há que ter autocontrole, disciplina e
persistência, sem o que as recaídas representam um risco presente e permanente.
Nesse contexto, evidentemente é fundamental que cada um chato identifique as
causas específicas e motivadoras do seu vício em ser chato.
Em
acréscimo, imprescindível observar que custa quase nada dar uma chance a você,
aos amigos e aos familiares. Às pessoas indistintamente. Quando alguém com um
sorriso nos lábios se dirigir a você e perguntar: Tudo bem com você? Se deixe
envolver pelas coisas boas que a vida tem lhe propiciado, mesmo que elas sejam,
em sua opinião, poucas. Assim, você criará a ambiência propícia para provocar e
atrair bons fluidos por onde passar.
Trata-se
de uma via de mão dupla, pois na vida colhemos nada mais do que aquilo que
plantamos. Contagie e se deixe contagiar por bons pensamentos e pelas boas
lembranças. Ademais, aprenda que a menor distância entre duas pessoas ainda é o
sorriso. Por isso, pratique todos os tempos do verbo sorrir e seja um semeador
de sorrisos, pois dele pode advir harmonia, paz e alegria. E o faça sem
hipocrisia, no lar, no labor e no lazer.
Aqui cabe
um alerta: A hipocrisia não é um tipo de chatice. O hipócrita jamais será
autêntico. Verdadeiro. Ao contrário, será sempre um falso. Um mentiroso. Não se
é hipócrita por vício, mas por desvios de caráter. Por desvios de conduta. Daí
porque, seja verdadeiro e atento à bondade de quem só dissimula os verdadeiros
sentimentos e intenções.
Por fim e
a propósito do objetivo central destas reflexões me permito indagar: Tudo bem
com você? Caro leitor ou leitora?
Fernando Nogueira de Lima é doutor em engenharia
elétrica e foi reitor da UFMT
(*) foto do https://pixabay.com/pt/

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