SÓ SE MUDA PARA MELHOR
Inicialmente, consideremos que a
qualidade de vida não permite relativização: ou você tem ou não tem, simples
assim. Além disso, assumamos que ela está associada à felicidade e ao
bem-estar, daí é possível cogitar que tanto os requisitos quanto as condições
para vivenciá-la pode variar de indivíduo para indivíduo, de coletividade para
coletividade, podendo contemplar condições objetivas e subjetivas, distintas.
Nessa perspectiva, descartemos a
possibilidade de que alguém pode ser ou estar mais feliz do que outro. Em vez
disso, aceitemos que uns necessitem menos do que outros para estarem ou serem
igualmente felizes, vivenciando a mesma sensação de bem-estar. Por isso é que
qualidade de vida pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes.
Nestes tempos das intimidades
permitidas nas redes sociais e, também, nesta era do consumismo desenfreado, o
padrão disseminado é ter como referência para ser feliz a felicidade alheia,
seja no mundo real ou no virtual. E nesse desejo equivocado, muitos sequer percebem
a infelicidade que se esconde por trás de sorrisos dissimulados, de falsas
declarações de carinho e de ostentações inócuas.
Evidentemente, a busca da qualidade de
vida não é tarefa simples. Muito ao contrário disso, é de elevada complexidade
porque envolve a natureza humana e a necessidade de mudança de hábitos e de
condutas. Além disso, em se tratando do bem-estar social, requer investimentos
em educação, saúde e habitação. E mais, exige a geração de emprego e de renda.
Deixando a César o que é de César,
dediquemo-nos ainda que superficialmente a procedimentos que são úteis para
identificar aspectos importantes quando se deseja avaliar a qualidade de vida
de um indivíduo ou de uma coletividade:
Um ponto de partida é o entendimento
individualizado do que é felicidade e bem-estar. Outro aspecto relevante é a
identificação de como cada um se sente consigo mesmo, de seus medos e
ansiedades, dos problemas que enfrenta e a forma de lidar com eles.
Depois disso, é imprescindível estar
consciente da importância e do porquê buscar a qualidade de vida, conhecendo
seus pontos fortes e as condições subjetivas e objetivas do cotidiano da vida,
para obter esse intento. Superadas essas etapas, é preciso escolher um método
que auxilie nas mudanças necessárias para atingir a felicidade e o bem-estar.
A propósito de mudanças, vale dizer que
as coletivas são menos difíceis do que as individuais, pois, quando são
definidas explicitamente, o exemplo de uns pode influenciar a ação de outros.
Das pedras do caminho que dificultam as mudanças, pelo menos três delas são bem
conhecidas: o comodismo, a comodidade e o consumismo (3C’s). Por isso, antes de
tudo, deve-se entender como superar e evitar a reincidência desses maus hábitos
na vida.
Sobre mudanças de atitudes é importante
sublinhar que ninguém muda porque sabe que precisa mudar, porque alguém mudou
ou porque lhe disseram para mudar. Diversamente disso, tal atitude se reveste
da conscientização do que se deseja mudar e o porquê disso, dos malefícios do
dia a dia e dos possíveis benefícios advindos das mudanças. E no caminhar, é
preciso ter muita disciplina e determinação para não encontrar as frustações,
pela estrada.
Nesse contexto, com o propósito de
mudar a conduta com vistas a ser proativo, deve-se adotar a prática de incluir
pequenas e permanentes mudanças na vida que sejam capazes de educar os
neurônios para as grandes mudanças e, assim, criar condições que contribuam
para atingir metas que exijam maiores dificuldades para serem mantidas.
Por fim, antes de se propor a fazer
mudanças na vida é oportuno recorrer à história infantil Alice no País das
Maravilhas - escrita por Charles Lutwidge Dodson e publicada em 1865, para
refletir sobre a passagem em que Alice pergunta ao Gato Maluco onde ficava a
saída, e ele responde que dependia de onde ela queria chegar. E como ela não
sabia para onde queria ir, ele respondeu que, então, qualquer caminho servia.
Dizendo de outra forma, quando não se sabe o que realmente se quer na vida,
todo e qualquer esforço para mudar será em vão.
Fernando Nogueira de Lima é engenheiro
eletricista e foi reitor da UFMT

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