QUEM AMA CUIDA II
Dias atrás, escrevi um texto em que alertava para os riscos que as crianças estão expostas e como deveriam proceder quando diante de lobos ou lobas com pele de cordeiro, sejam eles pessoas conhecidas ou desconhecidas. Do Anuário de Segurança Pública de 2019, destaco os dados relativos à violência doméstica e sexual: 1 agressão física a cada 2 minutos; 1 estupro a cada 8 minutos. Dessas vítimas 57,9% com no máximo 13 anos e 85,7% do sexo feminino.
Hoje, dedico estas linhas para alertar de maneira particular as adolescentes, em relação aos riscos a que se expõem quando perdem o controle da sua vontade e dos seus atos, por conta do consumo desmedido ou desacautelado de drogas, lícitas ou ilícitas, não esquecendo do famigerado boa noite Cinderela que pode ser utilizado também em bebidas não alcoólicas:
Certa vez, estava com amigos num bar, que era um corredor com um longo balcão seguido de um espaço com 5 mesas e um fogão a lenha de onde vinham as xícaras com caldos. Uma jovem desceu os degraus e se acomodou com amigos na mesa do lado e se pôs a beber com eles. A visão daquela cena nos surpreendeu pela ousadia da atitude inusitada, pois, na minha adolescência, não era usual ver as jovens ingerindo bebidas alcoólicas, muito menos em bares.
Naquela época, contudo, já se falava no boa noite Cinderela, um crime que consiste em drogar uma vítima para roubá-la ou estuprá-la, depois que a desavisada jovem ingerisse bebida com uma das drogas denominadas de “drogas de estupro” que tem efeito depressor sobre o sistema nervoso central, principalmente quando combinadas com o álcool que tem o mesmo efeito.
Por conta do boa noite Cinderela, que deixa as vítimas sem reação, eu sempre orientei quem pude orientar para que não bebessem sem ter visto abrir a garrafa, ou outro recipiente, e sem ter a segurança de que o copo estava limpo. Nem mesmo se a bebida fosse um refrigerante. Hoje eu acrescentaria, pelas mesmas razões de antes, que nem sucos e nem mesmo água.
Os costumes se modificaram e elas passaram a consumir bebidas alcoólicas tanto quanto eles. Então, minha outra orientação foi de que deviam beber verificando se a cabeça já estava cheia do teor etílico e não se o copo estava vazio para voltar a enchê-lo. E também que deviam tomar água depois de alguns goles de bebida alcoólica, para afastar o risco de perderem o controle de suas vontades e atos, e depois, ter que amargar as consequências.
Quando se trata de estupros a mídia, que é o principal veículo de informações desses crimes, na maioria das vezes faz a opção pela veiculação sensacionalista que acaba exercendo forte influência na opinião pública, nem sempre de forma adequada. Presentemente, há um caso sob holofotes, que é a condenação, na Itália, de um conhecido jogador de futebol por fazer parte da alcateia que violentou de diferentes maneiras, uma jovem alcoolizada - indefesa.
A propósito de holofotes, sinto falta de divulgação ou de campanhas preventivas em relação aos sequestros de crianças e de adolescentes que são praticados aqui no solo pátrio, por indivíduos e por quadrilha internacional. A cada hora, acontece 8 desaparecimentos. É uma triste realidade que é ignorada pela população, pelos órgãos públicos e pela mídia. O Paraná é o estado onde mais desaparecem crianças, devido ao biótipo genético com traços europeus.
Uma das técnicas é usar uma criança raptada, perto de escolas, se passando por perdida e pedindo ajuda para chegar em casa, assim, o adolescente ou a criança que inocentemente se propõe a ajudar acaba por ser raptada, quando chegam ao local. Portanto, digam para quem vocês amam que, nessas situações, devem entrar na escola e falar imediatamente com alguém para chamar a polícia, ou procurar local seguro quando não estiverem próximo da escola. Note-se que essa técnica pode muito bem ser usada em outros locais. Na praia, por exemplo.
Por fim, vale dizer que os riscos devido à embriaguez ou outro tipo de viagem, só aumentaram com o passar dos anos, se não, vejamos: sequestro, estupro, exposição de fotos e vídeos na internet, chantagem, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, sentimento de culpa e até suicídio. Por tudo isso, não há dúvidas de que é melhor prevenir do que remediar.
Fernando Nogueira de Lima é doutor em engenharia elétrica e foi reitor da UFMT
(*) foto do https://pixabay.com/pt/

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